CÓDIGO RÁPIDO DE COMO PROCEDER

Andei pesquisando alguns ensinamentos que se converteram em leis naturais que podem melhorar nossas vidas de forma prática, direta e simples e relacionei alguns deles.

Lei de Parkinson. O trabalho estica pra ocupar todo o tempo que você der pra ele. Dê uma semana pra uma coisa de um dia, e lá se vai a semana, sem a coisa ficar melhor por isso. Vale ao contrário também, e é aí que a lei é boa. Encurte o prazo, e a tarefa encolhe junto.

Lei de Hofstadter. Tudo demora mais do que você calcula, mesmo quando você já calculou que ia demorar mais. É a piada dela, se aplica a si mesma. Você soma uma folga pro imprevisto, e o imprevisto passa da folga. Enfim, sempre demora mais.

Lei de Brooks. Pôr mais gente num projeto atrasado atrasa mais ainda. Parece que muita mão adianta, mas cada um que chega tem que ser posto a par, tem que se acertar com os outros, e essa conversa toda come o tempo que ia ganhar. Tem hora que o que salva não é mais gente, é menos.

Lei de Murphy. Se pode dar errado, vai dar errado, e de preferência na pior hora. A torrada cai com a manteiga pra baixo. Não é azar, é só bom senso deixar uma folga guardada, porque o dia ruim aparece sem avisar.

Rendimentos decrescentes. Passado certo ponto, quanto mais você insiste, menos rende. A primeira hora rende que é uma beleza, a décima hora seguida não rende quase nada, e ainda te deixa de mau humor. A graça é sacar a hora de largar o osso.

Princípio de Pareto, o tal 80 por 20. Quase sempre, um pedacinho das causas responde pela maior fatia do resultado. Uns vinte por cento do que você faz dá conta de oitenta por cento do que você colhe. O truque é descobrir qual é esse pedacinho e cuidar dele primeiro. O resto, olha, boa parte pode esperar sentada.

Lei de Hick. Quanto mais opção você põe na frente da pessoa, mais devagar ela decide. É por isso que cardápio de trinta páginas trava a mesa inteira. Quer decidir rápido? Corta as opções. Duas ou três boas batem um corredor cheio de portas.

Princípio de Eisenhower. Uma coisa é urgente, outra é importante, e elas quase nunca são a mesma. O urgente berra e você atende na hora. O importante fica quietinho num canto, esperando, e vai ficando pra depois, pra depois, até nunca. Todo mundo conhece alguém que vive apagando incêndio e nunca constrói nada.

Princípio de Peter. Numa empresa, o pessoal vai sendo promovido até chegar num cargo que já não dá conta, e é ali que empaca. O bom vendedor vira gerente ruim, o bom técnico vira chefe atrapalhado. Cada um sobe pelo que faz bem até parar no degrau onde faz mal. Explica muita chefia por aí.

Efeito Dunning-Kruger. Quem sabe pouco de um assunto acha que sabe um monte, porque lhe falta o tanto que faltaria pra perceber o quanto não sabe. E quem sabe de verdade fica cheio de dúvida. Ou seja, a pessoa mais confiante da roda costuma ser a que menos entende. Vale conferir, inclusive quando o confiante é a gente.

Lei de Sturgeon. Noventa por cento de tudo é ruim. Livro, filme, música, palpite, tudo. E tá tudo bem, é assim mesmo. Não dá pra torcer o nariz pra um gênero inteiro por causa dos piores exemplos, porque a coisa boa está nos dez por cento que sobram, esperando quem tenha paciência de procurar.

Navalha de Hanlon. Não chame de maldade o que a burrice já explica. Aquele que te cortou no trânsito provavelmente não te odeia, só é distraído ou está com pressa. A maior parte das encrencas que os outros nos causam é descuido, não plano. Fica mais leve pra viver, e ainda por cima costuma ser verdade.

Princípio da caridade. Antes de sair rebatendo alguém, entenda o que a pessoa quis dizer no melhor sentido, não no pior. Vencer uma bobagem que você mesmo pôs na boca do outro não tem graça nenhuma. Encare a melhor versão do argumento. Se ainda discordar, aí sim vale, e se concordar, você aprendeu de graça.

Navalha de Occam. Tendo várias explicações pro mesmo fato, comece pela mais simples. Não porque a simples seja sempre a certa, mas porque ela chuta menos, e cada chute é um lugar a mais pra escorregar. Barulho no sótão de madrugada costuma ser o gato, não fantasma.

Cerca de Chesterton. Achou uma cerca no meio do nada e não entendeu pra que serve? Não sai derrubando. O fato de você não ver a serventia não quer dizer que ela não tenha, quer dizer que você ainda não sacou. Muita coisa que parece à toa está segurando alguma coisa que a gente nem vê. Entende primeiro, mexe depois.

Lei de Goodhart. Quando a medida vira meta, ela para de medir direito. Enquanto o número só observa, ele serve. Quando ele vira alvo a bater, todo mundo passa a correr atrás do número e larga a coisa que o número media. Aí o número engorda e a coisa emagrece. Cuidado com o que você resolve premiar, porque é o que vai ganhar.

Efeito cobra. Incentivo mal pensado faz o contrário do que queria. Dizem que um governo, pra acabar com as cobras da cidade, pagou por cobra morta. O povo esperto foi lá e começou a criar cobra pra faturar. Quando cortaram o pagamento, soltaram tudo, e ficou mais cobra do que no começo. Sempre tem um espertalhão pronto pra virar o incentivo do avesso.

Lei de Gall. Todo sistema complicado que funciona começou como um sistema simples que funcionava. Ninguém acerta o complicado de saída. O que dá certo nasce pequeno e vai crescendo, ajeitando no caminho. Quer fazer coisa grande que funcione? Faz funcionar pequeno primeiro. Se está indo, deixa ir.

Lei de Conway. O que uma turma constrói sai com a cara de como essa turma conversa. Quatro equipes que mal se falam produzem um troço em quatro pedaços que mal se encaixam. A bagunça de quem faz fica marcada no que é feito. Às vezes, pra consertar o resultado, tem que consertar antes a conversa.

Descobri que nenhum dos postulados contidos nessas leis é corrente pra prender ninguém. São mais bilhetes para nós mesmos, pregados na porta da geladeira, lembretes sobre aquilo que podemos vir a precisar.

Quando a alegria supera a pressão

Os dois últimos jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2026 simbolizam aquilo que para mim é o mais exemplar no esporte mundial.

No jogo entre Inglaterra e França, pela decisão do terceiro lugar, o que se viu foi um futebol completamente descontraído, leve, solto, lindo mesmo, onde 10 gols fizeram a alegria dos espectadores.

A vitória da Inglaterra por 6 a 4 representa bem o jogo, pois a meu ver, mesmo o time Frances sendo melhor que o Inglês, naquele jogo os brancos foram melhores que os azuis.

O jogo foi lindo, descontraído, alegre desprovido da responsabilidade de ganhar o campeonato, mas com a alegria de estar ali, jogando futebol.

No jogo final o que se viu foi algo diferente. O jogo também foi bonito, mas foi tenso, muito tenso. Cheio de pressão, da repugnante catimba da equipe Argentina, de todos os jogadores, inclusive do santinho do Messi, que ficou apagado durante todo o jogo.

A Arbitragem foi o que houve de pior na partida. Juiz ruim. Mais que isso tendencioso. Beneficiou diversas vezes a Argentina, inclusive anulando um gol legítimo da Espanha.

No esporte, neste nível, com todo o dinheiro envolvido, não poderia jamais existir esse tipo de arbitragem, que descaracteriza completamente a beleza do esporte.

O jogo transcorreu sob uma pressão insuportável e o que ele teve de belo, em muitos momentos, ficou ofuscado pela asquerosa catimba Argentina e pela péssima arbitragem.

A jovem equipe da Espanha jogou melhor e venceu, um jogo de final de Copa do Mundo, que vai entrar para a história como sendo um jogo pior que a disputa do terceiro lugar.

Penso que estou propenso a apoiar Lula

Essa luta alucinada pelo poder está me deixando cada vez mais perplexo. Fico imaginando como é que pode alguém que tem informações verdadeiras e confiáveis sobre os números da administração econômica e financeira de nosso país, sobre o colapso fiscal e a destruição estrutural sistemática que sofremos nos últimos 24 anos, desejar assumir o comando de algo que certamente irá piorar antes de minimamente começar a melhorar. Assumir o comando do país sabendo que terá de impor e manter, por bom tempo, uma gestão comprometida com seriedade, rigidez e responsabilidade, e fazer isso de forma competente, visando eficiência, eficácia, efetividade. Ações que nos tirem desse caos em que a política clientelista e populista nos jogou.

Fico imaginando como alguém possa achar que, sem o devido preparo, consiga desarmar uma bomba cuja explosão está programada para acontecer pouco tempo depois que ele comece a tentar desarmá-la. Sabendo, de antemão, que é praticamente impossível evitar uma violenta e destruidora detonação, que muito provavelmente ocorrerá em suas mãos.

Como é que um sujeito que sabe ser despreparado para liderar uma simples loja de chocolates pode imaginar que comanda um país inteiro? Complexo. Dividido quase que exatamente ao meio. Onde metade se alinha aos canalhas de esquerda e a outra metade aos imbecis de direita? E ambos estão errados. Ambos carregam em si o veneno da ambição desenfreada pelo poder. A qualquer custo.

Jamais votarei em Lula, e não votarei em Flávio, pelo menos não no primeiro turno. A doença está em mim também, está em todos nós.

Já disse uma vez e repito agora. O maior problema do Brasil é a falta de verdadeiras lideranças. De um time de pessoas que possam realmente encabeçar nosso renascimento. Saudade de Roberto Campos e mesmo de Darcy Ribeiro.

Olho para a Copa do Mundo de Futebol e vejo a mesma coisa. Em outros tempos tínhamos equipes onde diversos jogadores podiam chamar para si a responsabilidade. Em 1950, quando perdemos para o Uruguai no Maracanã, tínhamos um elenco de estrelas. Em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, a mesma coisa. Ainda tínhamos craques quando perdemos em 1978, 1982 e 1986. Tínhamos líderes em campo. Tínhamos quem nos levasse. Nos últimos anos não temos mais ninguém. Quando muito, um ou outro que, sozinhos, não podem fazer nada.

Olho em volta e não vejo possibilidade de melhorarmos. Se Lula vencer, vamos continuar afundando. Se Flávio vencer, ele não será capaz de nos tirar do buraco. Nenhum deles tem o que precisamos. Nenhum deles é a liderança que exigimos.

Confesso que estou me sentindo perdido. Cego. Tetraplégico. Desesperado. Completamente desamparado.

Talvez, se Lula for mais uma vez presidente, ele consiga definitivamente acabar com essa infame polarização. Quem sabe, quando conseguir realmente nos colocar no mais profundo do poço, nos destruir, a imensa maioria de seus devotos veja o erro que cometeu. E quem sabe, até lá, já tenha dado tempo de aparecer alguma verdadeira liderança que possa nos ajudar a levantar.

Sobre O Pitch – uma declaração de amor ao cinema

Por José Eduardo E. do Nascimento

Em O Pitch – uma declaração de amor ao cinema, sob a direção de Joaquim Haickel e Coi Beluzzo, escrito por Haickel, um diretor e uma produtora viajam até São Luís do Maranhão para conhecer cinco personas que carregam um incrível amor ao cinema; e, nesse amor, existem histórias que vão nos fazer rir, chorar, se emocionar e se impactar. Afinal, essa é a magia do cinema.

A premissa é deliberadamente simples, mas rica em subtextos: acompanhamos o processo de pitch (a venda de uma ideia para produtores ou investidores), onde um diretor e sua produtora buscam uma história que fuja dos padrões do cinema brasileiro. O grande trunfo do roteiro, no entanto, é a forma como injeta dinamismo e humor nessa sala através de citações diretas a dois gigantes do cinema mundial: Pedro Almodóvar e Quentin Tarantino, por meio das histórias.

A inclusão dessas referências transforma o pitch em um verdadeiro papo de cinema. Ao evocarem Almodóvar, os personagens buscam o melodrama escrachado, as cores saturadas e a intensidade das relações viscerais. A invocação de Tarantino traz o contrapeso perfeito: a ironia ácida e a violência. Esse choque entre a dramaticidade passional do cinema espanhol e o fetiche estético do cinema americano enriquece o texto de Haickel, que, a partir dessa metalinguagem, afasta o filme do clichê e o aproxima do público pelo amor universal pelo cinema.

O Pitch ganha tração na tela graças ao dinamismo e à entrega de seu elenco. A química entre Áurea Maranhão e Breno Nina é o que faz a história andar, equilibrando o peso dramático com a comicidade das narrativas contadas através das personas. O suporte do elenco composto majoritariamente maranhense ajuda a criar a atmosfera de autenticidade necessária para que os relatos das cinco histórias não pareçam tramas aleatórias do filme, mas sim histórias com potencial.

Por fim, O Pitch se revela muito maior do que sua premissa inicial sugere. Não se trata apenas de um filme sobre histórias para se fazer cinema, mas sim sobre o amor dessas pessoas colocado através de seus relatos; pessoas que cresceram vendo Titanic, Pulp Fiction, Tudo Sobre Minha Mãe… Joaquim Haickel reafirma que fazer cinema é, antes de tudo, um ato de paixão. O Pitch se consolida como uma pequena, vibrante e cinéfila janela para o mundo.

Uma análise do cenário maranhense neste momento

A disputa pelo governo do estado está tão equilibrada que o resultado não será decidido pela quantidade de acertos praticados pelos grupos contendores, mas pela quantidade ou, melhor ainda, pela qualidade dos erros cometidos por eles.

Até agora, analisando os acontecimentos da pré-campanha, espaço que antecede as convenções, podemos ver claramente os movimentos de cada um dos lados.

Enquanto Braide se desloca com movimentos extremamente calculados, até porque só ele sabe o que faz e o que vai fazer, não havendo por trás de si um grupo que possa de alguma forma exercer sobre ele qualquer tipo de pressão, seu primo e adversário, Orleans, não tem controle pessoal sobre sua campanha, que recai sobre o comando de seu grupo político. Some-se a isso uma grande quantidade de candidatos a deputado estadual e federal ligados ao governo, cada um querendo se viabilizar.

Por enquanto, os erros estão acontecendo mais do lado de Orleans, até porque o peso da máquina administrativa carrega consigo uma grande quantidade de problemas de toda a ordem, coisa que acontece em menor proporção em relação à máquina de Braide, que, quando muito, tem os problemas da administração municipal da capital, muito menor e menos problemática.

Na escolha do cargo de vice, Braide arquitetou um gabarito e saiu procurando em quem ele cabia: precisava ser alguém do sul do Maranhão, de preferência de Imperatriz ou Balsas; precisava ser mulher, mãe de família; precisava ser independente, empresária, empreendedora; precisava ser ligada a uma igreja, de preferência evangélica; precisava não ter antecedentes políticos e não ter nenhum problema judicial contra ela. Foi assim que escolheu Elaine Carneiro, que não tem votos, mas tem tudo para angariá-los de maneira eficiente e efetiva.

Escolheram para Orleans o ex-prefeito de São Luís Edvaldo Holanda Junior para tentar compensar o enorme prejuízo que terá pelo fato de Braide ser extremamente bem conceituado e avaliado na região metropolitana da capital. Não se pode dizer que a escolha foi errada. Ocorre que ela é apenas uma tentativa de minorar perdas, mas o fragiliza no sul do estado.

Outra coisa que poderá influenciar muito o sucesso de uma campanha nessa eleição é a construção das chapas de candidatos a deputados estaduais e federais e de senadores.

Enquanto no grupo de Orleans as cartas já parecem estar todas marcadas, com nomes previamente escolhidos pelo grupo para ganhar as eleições, do lado de Braide o fato de essas chapas correrem de forma mais solta e democrática, sem pressão política ou econômica, faz com que os candidatos a esses cargos possam ter mais esperanças de se elegerem e, consequentemente, os motiva mais na campanha de governador.

Mas, em minha modesta opinião, um grande acerto da campanha de Braide até agora foi a escolha de seus candidatos a senador. Ao apoiar André Fufuca, que representa a renovação da política maranhense e vem das regiões do Pindaré e Mearim, com grande penetração em todo o estado, e Lahésio Bonfim, ex-candidato a governador, que representa a região sul do Maranhão, Braide acende uma vela em cada altar da disputa nacional, ao mesmo tempo em que não se compromete a ferro e fogo com essas candidaturas, que são, acima de qualquer coisa, escolhas pessoais dos candidatos.

Já Orleans tem dois candidatos que lhe foram impostos: Weverton, pedido de Lula, e Pedro Lucas, pedido da federação de partidos que ele representa, em troca do tempo de propaganda no rádio e na televisão. Com isso, ele fica um tanto engessado. Porém, com a ausência de Roseana na disputa pelo Senado e a inclusão de Fernando Sarney como candidato a primeiro suplente de Pedro Lucas, sua candidatura ganha musculatura de vencedor, reforçada pela inconteste liderança de Roseana e de todo o grupo Sarney, que, ao contrário do que alguns pensam, ainda tem muito apoio popular.

Por outro lado, Braide está se aproveitando do fato de que, em todo município, existem dois, três ou até quatro grupos políticos, e em todos eles alguém que está fora do poder vê no apoio a ele uma oportunidade de crescimento, caso ele vença as eleições.

Em minha opinião, ainda é completamente impossível dizer quem sairá vencedor da disputa pelo governo do estado, mas posso antecipar outros prognósticos: a maioria dos 42 deputados estaduais e dos 18 deputados federais será composta pelos partidários de Orleans, isso se a disputa pelo governo continuar equilibrada. Se a posição de Braide melhorar no decorrer da campanha, isso pode se equilibrar e até inverter.

No caso do Senado, essa deve ser a primeira vez em que cada candidato a governador elegerá um candidato a senador. Penso que André Fufuca e Pedro Lucas irão disputar palmo a palmo para saber quem será o mais votado. Mas quem não for ficará com a segunda vaga.

Mas, como já disse, isso são apenas as minhas modestas opiniões. Haverá quem concorde comigo e quem de mim discorde, e isso é normal. Como dizia o velho Lister Caldas, repetindo um provérbio latino antigo: Qui vivet, videbit. Quem viver, verá.

Corrijam-me se eu estiver enganado!…

Desculpem-me, mas estou na finalização de dois longas metragens e de uma minissérie, e não tenho tido tempo nem paz de espírito para acompanhar, como gostaria, os acontecimentos da política. Ainda assim, uma notícia me pôs o dedo na ferida. O ministro Flávio Dino, a quem sempre reputei um dos mais preparados e competentes do STF, assinou agora, juntamente com outros três pares seus, um voto que libera grande parte dos penduricalhos que o próprio Dino, na condição de relator da matéria, com aplauso meu, inclusive, havia condenado há apenas três meses. Entidades da sociedade civil chamam isso de grave recuo. Tais entidades, insuspeitas de qualquer perseguição a ele, dizem, com todas as letras, que a tese, correta, está sendo esvaziada pelas mãos de quem a escreveu.

E aqui está o que mais me incomoda, e não é o nome de ninguém, é o método. Condena-se em voz alta, diante das câmeras e dos aplausos, e libera-se em voz baixa, três meses depois, no recolhimento de um plenário virtual, na esperança de que o país guarde só a primeira cena e perca a segunda. Aposta-se na desatenção do público, na ideia de que ninguém vai conferir o antes com o depois. Pois eu conferi. E o que sobra, quando se põem as duas decisões lado a lado, não é divergência de doutrina, é a distância entre o que se diz e o que se faz.

Não me move nenhuma bandeira ideológica ou partidária, me move a coerência, e ela vale para todos, inclusive para mim, que aplaudi a primeira decisão e por isso mesmo me sinto no direito de cobrar a segunda. Faço a conta simples que qualquer cidadão pode fazer: o que foi proibido em março, e o que foi liberado em junho, pelas mesmas mãos. A diferença entre as duas colunas é o tamanho exato do que me assombra. Não a opinião de um ministro, que é livre para mudar de posição, mas a engenharia de mudar sem que pareça que mudou, sob togas que, vez por outra, servem menos de toga e mais de manto, para cobrir o que não quer ser visto.

Dou a essas três coisas o seu nome exato, sem rodeio. Condenar diante das câmeras e liberar no escuro do plenário virtual é incoerência. Fazê-lo sem o menor constrangimento, à vista de quem quiser conferir, é desfaçatez. E seguir vestindo a toga de guardião do teto enquanto se abre a porta dos fundos para o que se jurou barrar, isso, senhores, é hipocrisia. Não me assombra que um homem mude de ideia. Assombra-me que mude esperando que ninguém repare.

Memória, lembrança, verdade e realidade

Há uma diferença fundamental entre lembrar e guardar na memória, e essa diferença é, no fundo, uma questão política e filosófica das mais relevantes. A lembrança é individual, pessoal, afetiva, fragmentada e às vezes até traiçoeira. A memória é coletiva, preservada, construída, disputada e, por isso mesmo, preciosa, pois é nela que a história se sustenta.

Memória não é simplesmente lembrança. O conhecimento não pode depender apenas da percepção, porque o que percebemos é sempre parcial, tingido pelo momento, pelo humor, pelo interesse. A lembrança funciona assim, é a percepção do passado filtrada pelo presente de quem lembra. Dois homens que viveram o mesmo evento lembram coisas diferentes, e ambos juram que é verdade.

A memória, no entanto, exige um esforço diferente. Precisa ser registrada, confrontada, documentada, preservada. Não é o que se sente que aconteceu, é o que se pode provar que aconteceu. É o registro do fato, do acontecimento.

A mesma dificuldade existe entre verdade e realidade, que parecem a mesma coisa e não são. Convém aqui um acerto de palavras, porque é exatamente nele que quase todos tropeçam. Chamo de realidade aquilo que aconteceu, uma só vez, de uma só forma, e que não pede permissão nem consenso para ter acontecido. E chamo de verdade não o fato em si, mas aquilo que cada um toma e sustenta como verdadeiro, a sua versão, o que jura ter visto. Pense num crime testemunhado por dez pessoas. A realidade é uma, o que de fato se deu. As verdades são dez, e raramente coincidem.

A verdade, nesse sentido, é sempre uma construção, um arranjo de palavras e imagens que se impôs sobre outros arranjos. A que circula na sociedade costuma ser a versão que venceu, e venceu menos por ser exata do que por ter tido mais força para se contar. A realidade, ao contrário, aconteceu e basta-se. O problema é que a realidade sem registro desaparece, e em seu lugar fica o relato de quem teve mais poder para contá-la.

Poderia objetar-se que também a memória documentada é uma dessas versões, escrita igualmente por quem teve poder para escrevê-la. A objeção é justa, e não a desprezo. Mas a diferença está num único ponto, e ele é decisivo. O relato interessado recusa ser confrontado, a memória rigorosa pede o confronto. Um teme a prova, a outra a procura. O documento, o registro cruzado, o testemunho que se confere com outro testemunho não nos dão a certeza absoluta, porém nos dão aquilo que a versão solta jamais aceita oferecer, que é a possibilidade de ser corrigida. É por submeter-se à correção que a memória escapa, ao menos em parte, da pura disputa de poder.

Há, portanto, um caminho para sair dessa armadilha, e ele é trabalhoso. As coisas têm uma consistência própria, que não depende do que sentimos a respeito delas, mas a essa consistência só se chega pelo esforço paciente e ordenado da razão. Sem ele, ficamos entregues à imaginação, que é o mais baixo dos conhecimentos, justamente por misturar percepção, emoção e fragmento numa coisa só. Documentar, registrar e preservar é, nesse sentido, um ato de razão erguido contra a imaginação interessada de quem deseja reescrever o que foi.

Preservar a memória é também um ato moral. O tempo devora tudo, impérios e homens ilustres viram pó com a mesma indiferença, e isso não se diz para paralisar ninguém, mas para o contrário. Se tudo se apaga, então o que se faz agora é o que vai restar, ou não restará nada, conforme o cuidado com que for tratado. O registro é a única forma de roubar alguma coisa a esse esquecimento.

E há uma dimensão que ultrapassa a história. Se toda pessoa tem uma dignidade que lhe é própria, então toda vida vivida tem direito ao testemunho. Apagar a memória de um povo, de uma cultura, de uma época, é uma violação ética antes de ser uma perda historiográfica. Foi exatamente isso o que aconteceu no Egito antigo, quando sucessores mandaram raspar dos monumentos o nome e a imagem de um faraó incômodo, como no caso de Akhenaton depois de morto, ou com Hatshepsut, cuja memória Tutmés III perseguiu na pedra. Não queriam apenas vencê-los, queriam que jamais tivessem existido, matá-los uma segunda vez, e para sempre, pela supressão da lembrança que deles restava.

A memória é, ainda, a condição de toda aprendizagem. Sem ela cada geração recomeça do zero, comete os mesmos erros, repete as mesmas tragédias. Preservá-la não é saudosismo, é inteligência coletiva aplicada à vida, o modo como um povo aprende a não tropeçar duas vezes na mesma pedra.

A lembrança se distorce, envelhece e morre com quem a carrega. A memória, quando guardada com rigor e honestidade, é o único antídoto que temos contra a mentira organizada. Num tempo em que a desinformação e a fabricação deliberada de narrativas se tornaram estratégias de poder, preservar a memória é um ato de resistência. Não porque o passado seja melhor que o presente, mas porque sem ele o presente não tem chão, e o futuro não tem bússola.

Minha opção pelos antigos.

Yitzhak Rabin foi soldado a vida inteira antes de ser estadista. Saiu do Palmach ainda jovem, comandou na guerra da criação de Israel, em 1948, e foi o chefe do Estado-Maior que conduziu o exército à vitória-relâmpago na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Homem taciturno, sem o dom para a bajulação, feito todo de dever. E foi esse general, que conhecia a guerra por dentro, quem teve a coragem de apertar a mão de um duro inimigo, Arafat, no gramado da Casa Branca, em 1993, e assinar o acordo de Oslo, pelo qual mereceu o Nobel da Paz. Pagou por ela o preço máximo: em novembro de 1995, num comício que comemorava exatamente a paz, em Tel Aviv, um fanático, judeu radical, o matou. Morreu pela coisa à qual dedicou a vida e entrou triunfante na história.

Benjamin Netanyahu não é homem sem feitos, e sou justo: serviu numa tropa de elite, foi ferido em combate e perdeu o irmão Yonatan, herói tombado no resgate de Entebbe. Mas reparem no que se converteu. Fez-se o mais longevo primeiro-ministro do país, e essa permanência é a sua obra-prima: a arte de durar, de costurar coalizões, de responder às acusações nos tribunais sem soltar o poder, de partir ao meio o próprio povo. E foi sob a sua guarda, a do homem que se vendeu como senhor da segurança, que veio o 7 de outubro de 2023, a maior falha de defesa da história de Israel.

Um general deu a vida para encerrar uma guerra. O outro consome um país para prolongar a si mesmo.

Passo aos Estados Unidos, e a medida não muda.

John Kennedy comandou uma lancha-torpedeira no Pacífico, e quando um destroier japonês a partiu ao meio, salvou a tripulação, rebocando um ferido pela alça do colete presa entre os dentes, a nado, por horas. Voltou herói, escreveu sobre a coragem um livro que lhe valeu o Pulitzer, e chegou à Presidência para pedir aos seus compatriotas, na posse, que não perguntassem o que a pátria podia fazer por eles, mas o que eles podiam fazer por ela. Fundou os Corpos da Paz. Diante dos generais que exigiam bombardear Cuba, segurou o dedo no gatilho e achou, na crise dos mísseis, o caminho estreito que poupou o mundo do fogo atômico. Prometeu à nação um homem na Lua antes do fim da década, sonho impossível, e a nação o cumpriu depois que ele já tombara em Dallas. Tudo isso em menos de três anos.

Trump tampouco é um nada, e reconheço: venceu duas eleições e ergueu um movimento que sacudiu o seu país e o mundo. Só que o que oferece é de outra estofa. É o construtor falido virado celebridade de televisão, a frase de efeito, o ressentimento alçado a programa de governo, a política rebaixada a espetáculo e a postagem. Kennedy convocava um povo ao sacrifício e às estrelas. Trump convoca uma plateia ao aplauso, e é ele, no fim, quem pergunta o que a pátria pode fazer por ele mesmo.

Vou agora ao esporte, para que ninguém diga que falo só de política.

Vi Ayrton Senna correr, e digo sem receio de exagero que vi um homem possuído. Foram pouco mais de dez temporadas, de 1984 a 1994, em máquinas que matavam de verdade, com quase nenhuma proteção, sem a extrema segurança de hoje. Três títulos, e uma genialidade na chuva que beirava o sobrenatural: a estreia em Mônaco, em 1984, num carro fraco, devorando os outros sob o aguaceiro; a primeira volta de Donington, em 1993, em que passou meio grid numa só tacada. Era feroz, não era santo, e o confesso: tirou Prost da pista em Suzuka para cravar um título. Mas foi o mesmo homem que, em Spa, parou o próprio carro, cruzou a pista a pé, sob o risco de morrer atropelado, para socorrer um rival caído e desligar-lhe o motor com as mãos. Doava fortunas às crianças do Brasil em sigilo, e só soubemos depois de morto. Falava de Deus dentro do cockpit. Tombou em Ímola, em 1994, no fim de semana em que outro piloto já havia ido, e levava no carro uma bandeira para homenageá-lo. Três milhões foram chorar a sua perda, e eu fui um deles.

Lewis Hamilton tem sete títulos, mais vitórias e mais poles que qualquer um, e foi, nos números, soberano. Sou justo outra vez: correu quase o dobro das temporadas de Senna, no carro mais dominante e mais seguro que este esporte já viu, numa era em que ninguém mais morre; e teve o mérito raro de abrir, sendo o único negro do grid, uma porta que estava lacrada, e de levantar causas verdadeiras contra o racismo. Mas a sua nobreza é a do nosso tempo: a virtude que se anuncia, o gesto que vira manchete e contrato. A de Senna se pagava com a pele e com o silêncio. Um ergueu a bandeira de um morto e arriscou a vida por um adversário. O outro, num mundo sem perigo, publica o bem que pratica.

E fecho com a bola, que é a nossa paixão e a nossa régua.

Pelé saiu de engraxate, em Três Corações, e fez-se Rei. Ganhou a primeira Copa em 1958, aos dezessete anos, marcando duas vezes na final; ganhou a de 1962; e consagrou-se na de 1970, no melhor time que já existiu, com aqueles lances que ninguém apaga, a finta sem tocar na bola, o passe para o gol de Carlos Alberto. Passou dos mil gols. E fez tudo isso com uma pelota de couro que, quando encharcava, pesava como pedra, em campos barrentos, apanhando de zagueiros com licença para matá-lo, tanto que o chutaram para fora da Copa de 1966. Encerrada a carreira, foi embaixador do mundo por meio século, com uma dignidade sem nódoa ou vulgaridade.

Neymar tem um dom que não nego, e é vasto; chegou a superar Pelé em gols pela seleção. Superou, contudo, noutro tempo: com jogos em excesso, amistosos de sobra, pênaltis fartos, gramados de veludo e regras que proíbem encostar nele. Concedo o talento e nego a grandeza. Levantou uma Liga dos Campeões, é verdade, mas a Copa que devia coroá-lo jamais veio, e a de casa, em 2014, ele assistiu quebrado, antes da vergonha do sete a um. Rolou pelo chão diante do planeta a ponto de virar chacota; mudou de país atrás de dinheiro até o deserto; fez da própria carreira uma vitrine de marca. Pelé carregou uma nação nas costas e virou mito. Neymar carrega um patrocínio no peito e é celebridade. A mesma matéria-prima nos pés, a estatura oposta na alma!…

É a mesma régua nos quatro casos, e ela não falha. Deixem aos modernos os números, os troféus, as voltas mais rápidas e os seguidores. Fico eu com a estatura e com o caráter: o general que morreu pela paz, o presidente que convocou ao sacrifício, o piloto que arriscou a vida por um rival, o rei que carregou um povo. Não é saudosismo de um velho. É valorizar a alma das coisas, a nobreza e a honra que há nelas.

O nó da eleição para o Senado

Vocês não podem imaginar a quantidade de pessoas que me procuram para saber alguma informação sobre o que poderá acontecer nas eleições deste ano, aqui em nosso Estado. São pessoas das mais diversas procedências, inclusive jornalistas bem informados e políticos de elevadas patentes.

Eu me reservo o direito de não opinar muito no que concerne à eleição de governador, por ser amigo pessoal dos candidatos com real chance de vencer a eleição, além de ser amigo dos pais deles. De um, amigo de infância, de colégio, e do outro amigo de plenário da Assembleia Legislativa, amizade herdada de meu pai, que praticamente faleceu em seus braços.

Sobre a eleição de governador, só direi que ela será muito apertada. Um dos candidatos tem o respaldo das ações e entregas do governo do Estado somadas às do governo federal. O outro tem a seu favor toda a vontade de mudança que sempre foi muito forte e presente em nosso Estado, e que nesta eleição está particularmente latente, além do excelente trabalho que realizou na gestão da prefeitura de nossa capital. O resultado é incerto e vai depender mais dos erros que dos acertos possam ser cometidos por eles.

Quanto às eleições legislativas, para a Assembleia estadual e para a Câmara Federal, penso que ocorrerão com certa facilidade e dentro da mais elementar previsibilidade. Aqueles que já têm mandato, têm preferência. Em seguida, os que têm redutos fortes e garantidos. Depois, os que têm recursos financeiros para investir nessas jornadas. Só precisam fazer contas se o esforço vale a pena, e se a Justiça Eleitoral não vai pegá-los mais adiante.

A verdadeira disputa nesta eleição é a do Senado. Estão em jogo duas vagas e, na atual situação, onde os dois principais candidatos a governador estão engalfinhados na disputa de cada voto, acredito que nenhum deles vai quebrar lança, vai se empenhar a ferro e fogo, pedindo votos para os senadores que compõem sua chapa. Penso que eles irão deixar a eleição de senador correr solta. Quem for poder, que se quebre. Quem não tiver voto, que se lasque. Quem tiver, que faça seu gasto para arrebanhar seus votos.

Penso que nunca antes na história do nosso Estado houve tantos candidatos num só pleito. Os atuais, Weverton Rocha e Eliziane Gama. Os deputados federais Roseana Sarney, André Fufuca, Pedro Lucas e Duarte Junior. O ex-senador Roberto Rocha. Os ex-prefeitos Lahésio Bomfim e Hilton Gonçalo, isso sem contar com os candidatos de partidos de extrema esquerda. Acredito que serão uns vinte candidatos disputando duas vagas, o que tornará a disputa bastante concorrida e interessante.

Levarão vantagem os candidatos mais conhecidos, os que tenham mais penetração em mais regiões e em mais municípios, que tenham uma maior rede pessoal de apoio, os que tenham mais votos em redutos maiores, os que tenham mais apoios de seus partidos através do fundo partidário.

Acredito que, se a eleição transcorrer como eu penso que irá, os candidatos com mais chances de se eleger são Roseana e Fufuca, que disputarão com Lahésio e Weverton. Isso sem menosprezar as chances de Roberto Rocha e Pedro Lucas, que até podem surpreender.

Imagino que a disputa ao governo será tão acirrada que os candidatos vão lutar palmo a palmo por seus votos, deixando os candidatos ao Senado à própria sorte.

É aqui que eu vejo a maior vantagem de Roseana. Conhecida em todo o Estado. Bem-quista e aceita por uma grande parcela dos políticos e da população. Simpática, carismática, lutadora, vencedora de quatro eleições para o governo. Com um grupo fiel que, apesar de hoje reduzido, é composto pelos melhores quadros do Estado. Da mesma forma vejo a situação de Fufuca, só que pelo fato de ser jovem e com imenso e promissor futuro pela frente.

Se fosse apostar, apostaria nos dois e acredito que ganharia a aposta.

Uma coisa é certa, nessa eleição, a disputa pelas vagas do Senado será a mais eletrizante de todos os tempos em nosso Estado.

Como sentimos os sentimentos

Estive demoradamente pensando sobre tudo aquilo que sentimos. Sobre a alegria de um amanhecer ensolarado, sobre respirarmos um ar puro, com o cheiro perfumado do orvalho da madrugada que acabou de evaporar.

Pensei sobre o amor que sinto por minha filha, por meu irmão e por minha esposa. Sem esse sentimento, eu seria éter. Pensei em um sentimento ruim, mas capaz de mover grandes obstáculos. Senti medo de perdê-los. Fiquei triste e pensei na tristeza que sinto por não ter mais comigo pessoas amadas: minha mãe, meu pai, alguns amigos, mortos e vivos.

Consequentemente, pensei na raiva que a perda e a distância podem nos causar, e isso fez com que sentisse culpa e vergonha por aquele sentimento. Imediatamente tive esperança e fé de não ceder à raiva e transformá-la em compreensão sobre os acontecimentos da vida, suas causas e consequências.

Imediatamente observei que existe uma outra categoria de “sentimentos” que não são coisas que simplesmente sentimos. São mais que isso. São atitudes que, quando as temos, dão a nós mesmos ou a outras pessoas sensações de sentimentos que podem ser bons ou ruins.

E pensei sobre a preocupação com os compromissos agendados e com a responsabilidade decorrente dos negócios firmados e apalavrados.

Parei no semáforo e se aproximou aquele senhor, com problema de locomoção (nem sei se é assim que se fala hoje em dia), e tive compaixão e empatia para com ele e comprei uma caneta para ajudar a ele (e a mim). Me senti generoso e orgulhoso e pensei só comigo se ele havia sentido minha compaixão, minha empatia, e se poderia imaginar que aquela minha atitude era generosidade ou apenas uma coisa circunstancial.

Por um instante, lembrei de um texto em que se comparava a lealdade e a fidelidade, mostrando aspectos de cada uma delas. Fidelidade é um sentimento animal; lealdade é algo menos orgânico, quase transcendental.

Fui tolerante comigo mesmo e não me deixei envolver pelos pecados capitais, todos eles figurantes nesta categoria de sentimentos-atitudes.

Da tolerância para o perdão é um pulinho, e me perdoei pela gula e pela luxúria; mas a ira e a inveja, se as sentisse, seriam imperdoáveis.

Lembrei que gentileza gera gentileza e que com a simpatia deve funcionar da mesma forma.

Tive confiança de estar pensando da maneira mais correta e coerente e resolvi perdoar a quem possa me ter ofendido, para jamais faltar com o respeito a qualquer pessoa.

Sobre respeito há um detalhe curioso. Essa é uma palavra-sentimento-atitude muito esquisita, pois seu efeito se faz sentir mais na ausência, em quem não se sente respeitado.

Respeito é um sentimento, desses de lugar de fala, expressão com a qual eu particularmente implico.

Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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