
Andei pesquisando alguns ensinamentos que se converteram em leis naturais que podem melhorar nossas vidas de forma prática, direta e simples e relacionei alguns deles.
Lei de Parkinson. O trabalho estica pra ocupar todo o tempo que você der pra ele. Dê uma semana pra uma coisa de um dia, e lá se vai a semana, sem a coisa ficar melhor por isso. Vale ao contrário também, e é aí que a lei é boa. Encurte o prazo, e a tarefa encolhe junto.
Lei de Hofstadter. Tudo demora mais do que você calcula, mesmo quando você já calculou que ia demorar mais. É a piada dela, se aplica a si mesma. Você soma uma folga pro imprevisto, e o imprevisto passa da folga. Enfim, sempre demora mais.
Lei de Brooks. Pôr mais gente num projeto atrasado atrasa mais ainda. Parece que muita mão adianta, mas cada um que chega tem que ser posto a par, tem que se acertar com os outros, e essa conversa toda come o tempo que ia ganhar. Tem hora que o que salva não é mais gente, é menos.
Lei de Murphy. Se pode dar errado, vai dar errado, e de preferência na pior hora. A torrada cai com a manteiga pra baixo. Não é azar, é só bom senso deixar uma folga guardada, porque o dia ruim aparece sem avisar.
Rendimentos decrescentes. Passado certo ponto, quanto mais você insiste, menos rende. A primeira hora rende que é uma beleza, a décima hora seguida não rende quase nada, e ainda te deixa de mau humor. A graça é sacar a hora de largar o osso.
Princípio de Pareto, o tal 80 por 20. Quase sempre, um pedacinho das causas responde pela maior fatia do resultado. Uns vinte por cento do que você faz dá conta de oitenta por cento do que você colhe. O truque é descobrir qual é esse pedacinho e cuidar dele primeiro. O resto, olha, boa parte pode esperar sentada.
Lei de Hick. Quanto mais opção você põe na frente da pessoa, mais devagar ela decide. É por isso que cardápio de trinta páginas trava a mesa inteira. Quer decidir rápido? Corta as opções. Duas ou três boas batem um corredor cheio de portas.
Princípio de Eisenhower. Uma coisa é urgente, outra é importante, e elas quase nunca são a mesma. O urgente berra e você atende na hora. O importante fica quietinho num canto, esperando, e vai ficando pra depois, pra depois, até nunca. Todo mundo conhece alguém que vive apagando incêndio e nunca constrói nada.
Princípio de Peter. Numa empresa, o pessoal vai sendo promovido até chegar num cargo que já não dá conta, e é ali que empaca. O bom vendedor vira gerente ruim, o bom técnico vira chefe atrapalhado. Cada um sobe pelo que faz bem até parar no degrau onde faz mal. Explica muita chefia por aí.
Efeito Dunning-Kruger. Quem sabe pouco de um assunto acha que sabe um monte, porque lhe falta o tanto que faltaria pra perceber o quanto não sabe. E quem sabe de verdade fica cheio de dúvida. Ou seja, a pessoa mais confiante da roda costuma ser a que menos entende. Vale conferir, inclusive quando o confiante é a gente.
Lei de Sturgeon. Noventa por cento de tudo é ruim. Livro, filme, música, palpite, tudo. E tá tudo bem, é assim mesmo. Não dá pra torcer o nariz pra um gênero inteiro por causa dos piores exemplos, porque a coisa boa está nos dez por cento que sobram, esperando quem tenha paciência de procurar.
Navalha de Hanlon. Não chame de maldade o que a burrice já explica. Aquele que te cortou no trânsito provavelmente não te odeia, só é distraído ou está com pressa. A maior parte das encrencas que os outros nos causam é descuido, não plano. Fica mais leve pra viver, e ainda por cima costuma ser verdade.
Princípio da caridade. Antes de sair rebatendo alguém, entenda o que a pessoa quis dizer no melhor sentido, não no pior. Vencer uma bobagem que você mesmo pôs na boca do outro não tem graça nenhuma. Encare a melhor versão do argumento. Se ainda discordar, aí sim vale, e se concordar, você aprendeu de graça.
Navalha de Occam. Tendo várias explicações pro mesmo fato, comece pela mais simples. Não porque a simples seja sempre a certa, mas porque ela chuta menos, e cada chute é um lugar a mais pra escorregar. Barulho no sótão de madrugada costuma ser o gato, não fantasma.
Cerca de Chesterton. Achou uma cerca no meio do nada e não entendeu pra que serve? Não sai derrubando. O fato de você não ver a serventia não quer dizer que ela não tenha, quer dizer que você ainda não sacou. Muita coisa que parece à toa está segurando alguma coisa que a gente nem vê. Entende primeiro, mexe depois.
Lei de Goodhart. Quando a medida vira meta, ela para de medir direito. Enquanto o número só observa, ele serve. Quando ele vira alvo a bater, todo mundo passa a correr atrás do número e larga a coisa que o número media. Aí o número engorda e a coisa emagrece. Cuidado com o que você resolve premiar, porque é o que vai ganhar.
Efeito cobra. Incentivo mal pensado faz o contrário do que queria. Dizem que um governo, pra acabar com as cobras da cidade, pagou por cobra morta. O povo esperto foi lá e começou a criar cobra pra faturar. Quando cortaram o pagamento, soltaram tudo, e ficou mais cobra do que no começo. Sempre tem um espertalhão pronto pra virar o incentivo do avesso.
Lei de Gall. Todo sistema complicado que funciona começou como um sistema simples que funcionava. Ninguém acerta o complicado de saída. O que dá certo nasce pequeno e vai crescendo, ajeitando no caminho. Quer fazer coisa grande que funcione? Faz funcionar pequeno primeiro. Se está indo, deixa ir.
Lei de Conway. O que uma turma constrói sai com a cara de como essa turma conversa. Quatro equipes que mal se falam produzem um troço em quatro pedaços que mal se encaixam. A bagunça de quem faz fica marcada no que é feito. Às vezes, pra consertar o resultado, tem que consertar antes a conversa.
Descobri que nenhum dos postulados contidos nessas leis é corrente pra prender ninguém. São mais bilhetes para nós mesmos, pregados na porta da geladeira, lembretes sobre aquilo que podemos vir a precisar.