Alea iacta est, de novo

Nem comentarei o fato de um ministro do STF, ex-advogado de um dos candidatos à Presidência da República, ter prorrogado o horário de votação no segundo turno das eleições. Tampouco tratarei, neste momento, das acusações de fraude e de golpe eleitoral que, caso comprovadas, configurariam crimes contra o Estado Democrático de Direito. Deixo essas questões para os advogados do candidato que se considera prejudicado por tais manobras.

O que farei é comentar, com você que me prestigia com sua leitura, algo relacionado ao que venho escrevendo quase diariamente sobre política. Penso que ontem consegui produzir um dos mais importantes desses textos. Reproduzirei aqui, entre aspas, alguns de seus trechos, para que fique muito claro o problema que previ que teríamos de enfrentar:

“[…] O que posso assegurar é que o eleito herdará um país quase destruído, com gravíssimos problemas econômicos, financeiros, fiscais, sociais e institucionais. Herdará também uma nação dividida quase exatamente ao meio, o que limitará consideravelmente sua capacidade de manobra.

Posso garantir que o próximo presidente precisará ser muito cauteloso, sábio, ponderado, consciencioso, compreensivo, generoso e altruísta. Precisará também ser íntegro, honrado, justo, humilde, corajoso, sereno, responsável, tolerante e dotado da nobreza e do espírito público indispensáveis ao exercício de tão elevada missão. Terá a missão de pacificar o país, pois somente assim terá alguma possibilidade de alcançar sucesso em sua empreitada. E eu torço por esse sucesso, assim como todo brasileiro que realmente deseja ver nosso país melhorar e nosso povo ser feliz. […]”

Você, que me lê agora, pode e deve perguntar se realmente acredito que aquilo que está dito nos parágrafos anteriores possa acontecer. Eu lhe responderia, honestamente, que não.

Não acredito que isso possa acontecer, nem com o resultado desta eleição, nem caso o resultado tivesse sido outro. Na verdade, nunca tive ilusões quanto à possibilidade de nosso país experimentar melhorias reais. A única diferença é que, se o resultado tivesse sido outro, eu ainda acalentaria a esperança de que a simples mudança pudesse trazer alguma melhora. Agora, diante do resultado, tenho a convicção de que nada melhorará e de que tudo ficará ainda pior.

Vejam bem: quem me conhece sabe que sou um otimista inveterado. E estou sendo otimista agora, ao dizer apenas que tudo vai piorar. Por aí, vocês podem imaginar o que realmente penso que acontecerá.

A sorte está lançada.*

*A expressão latina Alea iacta est significa literalmente “o dado foi lançado” e é tradicionalmente traduzida como “a sorte está lançada”. Ela indica que uma decisão irreversível foi tomada e que, a partir daquele momento, será necessário enfrentar todas as suas consequências, sejam elas favoráveis ou desastrosas.

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Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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