Alea iacta est

Se eu dissesse que sei quem vencerá a eleição para a Presidência da República, estaria mentindo. E mentira é algo que abomino.

Poderia dizer que há um candidato cuja vitória eu não gostaria de ver, mas isso não significa automaticamente que deseje a vitória do outro.

Posso afirmar que a situação não é simples e que minha escolha será feita por exclusão, o que é uma pena. Ainda assim, penso que essa seja a solução menos ruim, ou, para usar uma expressão mais direta, a menos pior.

O que posso assegurar é que o eleito herdará um país quase destruído, com gravíssimos problemas econômicos, financeiros, fiscais, sociais e institucionais. Herdará também uma nação dividida quase exatamente ao meio, o que limitará consideravelmente sua capacidade de manobra.

Posso garantir que o próximo presidente precisará ser muito cauteloso, sábio, ponderado, consciencioso, compreensivo, generoso e altruísta. Precisará também ser íntegro, honrado, justo, humilde, corajoso, sereno, responsável, tolerante e dotado da nobreza e do espírito público indispensáveis ao exercício de tão elevada missão. Terá a missão de pacificar o país, pois somente assim possuirá alguma possibilidade de alcançar sucesso em sua empreitada. E eu torço por esse sucesso. Eu e todo aquele brasileiro que quer realmente ver nosso país melhorar e nosso povo ser feliz.

Acredito que você, que me lê com frequência, saiba que não sou uma pessoa religiosa nem particularmente ligada a igrejas de qualquer denominação. Sou, porém, um homem de muita fé. Acredito na existência de uma força, de uma energia universal que rege tudo e todos e faz com que as coisas aconteçam como podem e devem acontecer.

É por isso que rogo e desejo acreditar que o resultado dos acontecimentos de hoje represente um passo decisivo para que possamos conduzir nossa existência coletiva na melhor direção possível.

Não tenho a menor dúvida de que será difícil. Espero apenas que todos os envolvidos, tanto os vitoriosos quanto os derrotados, sejam capazes de fazer o melhor que estiver ao seu alcance pelo país e por nosso povo.

A sorte está lançada.

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Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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