A mentira como modus operandi na política brasileira

Analisei algumas das afirmações mais frequentes de Lula para verificar sua correspondência com os fatos. O resultado revelou um padrão recorrente de falsidades, exageros, apropriações de realizações coletivas, manipulações de números e acontecimentos históricos. Um verdadeiro festival de mentiras.

É muito provável que Lula seja, além do campeão nacional da mentira, o recordista internacional nessa prática, considerando suas décadas de protagonismo político, o longo período durante o qual exerceu o poder e a maneira como o utiliza em benefício próprio. O levantamento realizado deixa claro que ele recorre frequentemente à distorção da realidade sempre que isso lhe é política e pessoalmente conveniente, o que acontece quase sempre.

O padrão mais frequente não consiste apenas em inventar fatos. É algo bem mais elaborado:

  1. Ele transforma sua participação em autoria exclusiva.
  2. Apresenta como criação pessoal aquilo que seu governo ampliou, regulamentou ou ajudou a implementar.
  3. Incorpora ao próprio currículo resultados produzidos coletivamente ou alcançados durante outros governos.
  4. Converte a melhoria de determinados indicadores na solução definitiva de problemas que continuam existindo.
  5. Mistura estatísticas, períodos e metodologias diferentes para produzir números favoráveis à narrativa que pretende construir.

Lula não criou o Simples nem o MEI, tampouco gerou 22 milhões de empregos formais em seus dois primeiros mandatos. Seus governos contribuíram para a ampliação do Simples, para a implantação do MEI e para a redução da fome. Reconhecer essas realizações, porém, não obriga ninguém a aceitar a apropriação pessoal de obras coletivas, a adulteração dos números ou a reescrita da história.

Lula é um mentiroso contumaz, e não se deve depositar confiança em quem transforma a mentira em método permanente de atuação política, de controle das narrativas e de manipulação da opinião pública.

Realizei pesquisa semelhante sobre declarações de Flávio Bolsonaro e constatei que ele também mente reiteradamente. A diferença mais relevante não está na pura e simples existência da mentira, presente nos dois, mas no tempo, na dimensão, no alcance e nos instrumentos de poder disponíveis para difundi-la.

Lula é protagonista da política nacional desde o final da década de 1970. Exerceu a Presidência durante doze anos, e seu partido comandou o Executivo federal por dezoito anos. Durante esse período, construiu uma narrativa destinada a apresentar realizações coletivas como conquistas pessoais e políticas públicas como manifestações de sua generosidade.

Dessa maneira, direitos financiados pela própria sociedade passam a ser apresentados como “bondades” concedidas pelo governante. O cidadão deixa de ser tratado como titular de direitos e passa a ser conduzido à condição de beneficiário agradecido. A assistência necessária se transforma em dependência política, e a vulnerabilidade social passa a ser explorada como instrumento de controle e permanência no poder.

Flávio Bolsonaro também mente e deve ser responsabilizado politicamente por isso. Lula, contudo, dispõe de algo que Flávio nunca teve: décadas de protagonismo nacional, doze anos no exercício direto da Presidência e outros seis anos de controle partidário da máquina federal. Suas falsidades, portanto, não são apenas frases de campanha. Elas ajudam a construir uma realidade política artificial, mantida pelo poder, pela propaganda e pela dependência e a “escravização” de milhões de brasileiros.

Tudo isso sem contar os diversos e enormes escândalos de corrupção ocorridos ao longo do período em que ele e seu grupo político estiveram ou permanecem no comando do país.

Essa prática é abjeta, repugnante, torpe, moralmente inaceitável e imperdoável. Mentir para conquistar votos já é condenável. Usar o Estado para transformar direitos em favores e cidadãos livres em indigentes dependentes é ainda pior: significa explorar justamente as pessoas mais fragilizadas que o governo afirma proteger.

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Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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