
Essa luta alucinada pelo poder está me deixando cada vez mais perplexo. Fico imaginando como é que pode alguém que tem informações verdadeiras e confiáveis sobre os números da administração econômica e financeira de nosso país, sobre o colapso fiscal e a destruição estrutural sistemática que sofremos nos últimos 24 anos, desejar assumir o comando de algo que certamente irá piorar antes de minimamente começar a melhorar. Assumir o comando do país sabendo que terá de impor e manter, por bom tempo, uma gestão comprometida com seriedade, rigidez e responsabilidade, e fazer isso de forma competente, visando eficiência, eficácia, efetividade. Ações que nos tirem desse caos em que a política clientelista e populista nos jogou.
Fico imaginando como alguém possa achar que, sem o devido preparo, consiga desarmar uma bomba cuja explosão está programada para acontecer pouco tempo depois que ele comece a tentar desarmá-la. Sabendo, de antemão, que é praticamente impossível evitar uma violenta e destruidora detonação, que muito provavelmente ocorrerá em suas mãos.
Como é que um sujeito que sabe ser despreparado para liderar uma simples loja de chocolates pode imaginar que comanda um país inteiro? Complexo. Dividido quase que exatamente ao meio. Onde metade se alinha aos canalhas de esquerda e a outra metade aos imbecis de direita? E ambos estão errados. Ambos carregam em si o veneno da ambição desenfreada pelo poder. A qualquer custo.
Jamais votarei em Lula, e não votarei em Flávio, pelo menos não no primeiro turno. A doença está em mim também, está em todos nós.
Já disse uma vez e repito agora. O maior problema do Brasil é a falta de verdadeiras lideranças. De um time de pessoas que possam realmente encabeçar nosso renascimento. Saudade de Roberto Campos e mesmo de Darcy Ribeiro.
Olho para a Copa do Mundo de Futebol e vejo a mesma coisa. Em outros tempos tínhamos equipes onde diversos jogadores podiam chamar para si a responsabilidade. Em 1950, quando perdemos para o Uruguai no Maracanã, tínhamos um elenco de estrelas. Em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, a mesma coisa. Ainda tínhamos craques quando perdemos em 1978, 1982 e 1986. Tínhamos líderes em campo. Tínhamos quem nos levasse. Nos últimos anos não temos mais ninguém. Quando muito, um ou outro que, sozinhos, não podem fazer nada.
Olho em volta e não vejo possibilidade de melhorarmos. Se Lula vencer, vamos continuar afundando. Se Flávio vencer, ele não será capaz de nos tirar do buraco. Nenhum deles tem o que precisamos. Nenhum deles é a liderança que exigimos.
Confesso que estou me sentindo perdido. Cego. Tetraplégico. Desesperado. Completamente desamparado.
Talvez, se Lula for mais uma vez presidente, ele consiga definitivamente acabar com essa infame polarização. Quem sabe, quando conseguir realmente nos colocar no mais profundo do poço, nos destruir, a imensa maioria de seus devotos veja o erro que cometeu. E quem sabe, até lá, já tenha dado tempo de aparecer alguma verdadeira liderança que possa nos ajudar a levantar.