Sobre O Pitch – uma declaração de amor ao cinema

Por José Eduardo E. do Nascimento

Em O Pitch – uma declaração de amor ao cinema, sob a direção de Joaquim Haickel e Coi Beluzzo, escrito por Haickel, um diretor e uma produtora viajam até São Luís do Maranhão para conhecer cinco personas que carregam um incrível amor ao cinema; e, nesse amor, existem histórias que vão nos fazer rir, chorar, se emocionar e se impactar. Afinal, essa é a magia do cinema.

A premissa é deliberadamente simples, mas rica em subtextos: acompanhamos o processo de pitch (a venda de uma ideia para produtores ou investidores), onde um diretor e sua produtora buscam uma história que fuja dos padrões do cinema brasileiro. O grande trunfo do roteiro, no entanto, é a forma como injeta dinamismo e humor nessa sala através de citações diretas a dois gigantes do cinema mundial: Pedro Almodóvar e Quentin Tarantino, por meio das histórias.

A inclusão dessas referências transforma o pitch em um verdadeiro papo de cinema. Ao evocarem Almodóvar, os personagens buscam o melodrama escrachado, as cores saturadas e a intensidade das relações viscerais. A invocação de Tarantino traz o contrapeso perfeito: a ironia ácida e a violência. Esse choque entre a dramaticidade passional do cinema espanhol e o fetiche estético do cinema americano enriquece o texto de Haickel, que, a partir dessa metalinguagem, afasta o filme do clichê e o aproxima do público pelo amor universal pelo cinema.

O Pitch ganha tração na tela graças ao dinamismo e à entrega de seu elenco. A química entre Áurea Maranhão e Breno Nina é o que faz a história andar, equilibrando o peso dramático com a comicidade das narrativas contadas através das personas. O suporte do elenco composto majoritariamente maranhense ajuda a criar a atmosfera de autenticidade necessária para que os relatos das cinco histórias não pareçam tramas aleatórias do filme, mas sim histórias com potencial.

Por fim, O Pitch se revela muito maior do que sua premissa inicial sugere. Não se trata apenas de um filme sobre histórias para se fazer cinema, mas sim sobre o amor dessas pessoas colocado através de seus relatos; pessoas que cresceram vendo Titanic, Pulp Fiction, Tudo Sobre Minha Mãe… Joaquim Haickel reafirma que fazer cinema é, antes de tudo, um ato de paixão. O Pitch se consolida como uma pequena, vibrante e cinéfila janela para o mundo.

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Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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