
Eu não sou lá muito adepto de datas comemorativas, destas que foram criadas para movimentar o comércio, tais como Dia dos Pais, das Mães, Páscoa, Natal, Ano Novo. Para mim, todo dia é Dia das Mães, dos Pais, dos amigos. Datas cívicas comemorativas eu até aceito, como marco de lembrança.
Eu lembro dos meus pais todos os dias, a todo instante. Meus presentes para eles, mais que algo comprado em uma loja, sempre foram o respeito, o carinho, o amor que sempre tive e sempre terei por eles.
Mas ontem, dia 10 de agosto de 2026, aconteceram cinco coisas que preciso comentar com vocês.
Resolvi que era um domingo como outro qualquer e até pensei em ir para a praia, encontrar com os amigos do frescobol, mas estava meio nublado e resolvi ir para a Raposa, para a marcenaria do meu amigo Max, trabalhar um pouco. Lá aconteceu a primeira das cinco coisas que quero lhes contar. Max e sua família me convidaram para almoçar com eles e eu aceitei. Passei o almoço dos pais com esses novos amigos.
Mesmo assim, tinha que comparecer ao almoço da minha família, na casa de Mãe Teté.
No caminho de volta da Raposa, o segundo fato a relatar. Pude responder à ligação que recebi e não pude atender, de minha enteada, Nilma, que, juntamente com meu netinho, Theo, ligaram para me parabenizar. Fiquei feliz.
Depois, ao chegar na casa de Mãe Teté, o terceiro fato a ser destacado. Recebi uma mensagem de minha outra enteada, Joama, tão minha filha quanto Laila, em que ela registrou, em palavras, a mais bela declaração de amor filial que alguém pode fazer. Jacira leu e chorou.
O quarto fato foi obra de minha filha Laila, o melhor pedaço de mim, minha menina maluquinha, personagem que nem Ziraldo seria capaz de inventar. Sabendo que só bebo vinho do Porto, ela mandou de São Paulo, onde está morando, fazendo pós-graduação, uma garrafa de Taylor’s, de uma safra especial. Mas, junto do vinho, ela mandou também um texto justificando o presente, e nele resolveu imprimir toda a sua inventiva criatividade, dando causa e efeito para o produto e ligando-o a importantes personagens da história, criando para mim algo que amo, que é a narração de um “causo híbrido”, mistura de verdade factual comprovável e enrolação histórica e literária capaz de enganar muito professor desavisado. Ela, na verdade, me deu algo semelhante a um caju. O vinho era o pseudofruto, e o texto era a castanha, o fruto verdadeiro. O presente não era o vinho, era o texto. Ela parece demais comigo. Pior para ela, coitada.
O quinto fato, só vi quando cheguei em casa. Foi uma mensagem de um velho amigo, Lourenço, um fabuloso camarada que trabalhou com meu pai. Vou transcrever abaixo a mensagem dele:
“Bom dia, o meu amigo Joaquim… eu ainda não me esqueci de vocês, viu!… Guardo vocês no meu coração… ainda tenho comigo a lembrança do meu pai, o velho Nagib Haickel, que me deu oportunidade de ter tudo que tenho. Por isso quero desejar um feliz dia dos pais para o senhor, aí em sua casa, junto com sua família. Receba um abraço do seu irmão Lourenço. Fiquem com Deus.”
Depois desses cinco acontecimentos, meu Dia dos Pais não poderia ter sido melhor, mesmo tendo ido assistir ao Homem-Aranha, e tendo achado fraco.