
Não me peçam para ignorar as eternas promessas não cumpridas, as abundantes e reiteradas mentiras ou as tentativas de conquistar votos por meio de pacotes de “bondades”, compostos por medidas que deveriam ter sido implementadas muito antes, para beneficiar a população, e não utilizadas às vésperas das eleições na tentativa de cooptar os votos das pessoas mais vulneráveis.
Não me peçam para ignorar uma política econômica desastrosa, cujas consequências recaem principalmente sobre os menos favorecidos, enquanto a permanência no poder parece sobrepor-se às necessidades do país.
Não me peçam para esquecer a destruição da família e da escola, a desvalorização da religião, o desrespeito ao direito de propriedade, a falta de segurança, o incentivo à criminalidade e a disseminação da guerra de classes, alimentada pela política do “nós contra eles”.
Não me peçam para esquecer a cooptação criminosa do Poder Judiciário, sua utilização ideológica e partidária, nem o apoio dado a alguns de seus integrantes quando desrespeitam o devido processo legal, subvertem o Estado Democrático de Direito e violam os preceitos constitucionais.
Não me peçam para esquecer a implementação de uma hegemonia cultural que tem como lema “destruir para conquistar”, nem as infâmias propagadas por alguns de seus seguidores mais abjetos.
Não me peçam para fechar os olhos diante do aparelhamento ideológico do Estado e dos inúmeros e recorrentes casos de corrupção e de apropriação de recursos públicos praticados por um grupo que dominou nosso país ao longo de cinco mandatos presidenciais.
Não me peçam para ser juiz ou palmatória do mundo. Não me peçam para ser imparcial nem para fingir uma neutralidade que não tenho e não desejo ter. Exijam de mim coerência, correção, respeito e responsabilidade.
Não imponho meu pensamento a ninguém, nem desejo ou pretendo ser seguido. Não exijo que concordem comigo, mas exijo que respeitem meu direito de discordar. Reivindico o direito supremo e sagrado de pensar livremente, de me manifestar e de defender aquilo que acredito ser certo, verdadeiro e justo.
Não reivindico para mim nenhum direito que não reconheça aos outros, inclusive àqueles de quem discordo mais profundamente. Não desejo que ninguém seja silenciado por pensar de maneira diferente da minha, assim como não admito que tentem me silenciar ou me marginalizar por pensar de maneira diferente da deles.
A liberdade de pensamento e de expressão não pode ser privilégio de quem está no poder, de quem o apoia ou de quem pretende conquistá-lo. Ou é um direito de todos, ou deixa de ser liberdade para transformar-se em instrumento de dominação. E isso eu jamais aceitarei.
Reservo-me também o direito de estar equivocado, pois não reivindico o monopólio da verdade. Mas assumo integralmente a responsabilidade por tudo aquilo que penso, digo, escrevo e faço. E ajo assim amparado na Carta Constitucional que ajudei a redigir e a aprovar para reger os destinos de nossa nação e de nosso povo.