Tendência de Mudança

Estudiosos do comportamento eleitoral e das pesquisas de opinião pública observam que, sobretudo em contextos de insatisfação, existe entre os eleitores uma tendência a votar contra o incumbente, isto é, contra quem está no poder, seja no município, no estado ou no país. É o que a ciência política costuma chamar de “anti-incumbência” ou “desgaste do poder”.

A explicação para essa preferência é intuitiva. Para o eleitor insatisfeito, a mudança de mandatário sinaliza possíveis modificações nas estruturas políticas e administrativas: novos nomes nos cargos, novas políticas de gestão e a abertura de espaço para outras pessoas e ideias capazes, em tese, de melhorar a situação existente.

Ouvi de um cidadão menos refinado uma frase absurda sob os pontos de vista moral e ético, mas dotada de uma lógica perfeita:

— Com a mudança, pelo menos existe a possibilidade de mudarem os ladrões e de os novos serem menos ladrões que os anteriores.

A disposição de votar contra quem se encontra no governo tende a ser maior quando o próprio incumbente disputa a reeleição e menor quando ele apenas apoia um candidato à sua sucessão, pois, nesse segundo caso, a responsabilidade pela gestão apresenta-se de maneira menos direta.

Convém ressalvar, porém, que esse é apenas um dos fatores em jogo, e não uma sentença. A vontade de mudança tende a crescer quando a gestão é considerada ruim e o eleitor está insatisfeito. Quando ocorre o contrário e o governo é bem avaliado, a estrutura governamental, a visibilidade e a familiaridade com aquilo que já é conhecido costumam favorecer quem está no poder.

Por isso, disputar a reeleição ou apoiar um sucessor não condena ninguém, de antemão, à derrota. Trata-se apenas de um aspecto que merece ser levado em conta na análise de qualquer eleição. Ainda assim, quando predomina a insatisfação e existe uma alternativa considerada minimamente razoável, a inclinação do eleitor costuma ser a de optar por uma mudança de rumo.

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Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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