
Estudiosos do comportamento eleitoral e das pesquisas de opinião pública observam que, sobretudo em contextos de insatisfação, existe entre os eleitores uma tendência a votar contra o incumbente, isto é, contra quem está no poder, seja no município, no estado ou no país. É o que a ciência política costuma chamar de “anti-incumbência” ou “desgaste do poder”.
A explicação para essa preferência é intuitiva. Para o eleitor insatisfeito, a mudança de mandatário sinaliza possíveis modificações nas estruturas políticas e administrativas: novos nomes nos cargos, novas políticas de gestão e a abertura de espaço para outras pessoas e ideias capazes, em tese, de melhorar a situação existente.
Ouvi de um cidadão menos refinado uma frase absurda sob os pontos de vista moral e ético, mas dotada de uma lógica perfeita:
— Com a mudança, pelo menos existe a possibilidade de mudarem os ladrões e de os novos serem menos ladrões que os anteriores.
A disposição de votar contra quem se encontra no governo tende a ser maior quando o próprio incumbente disputa a reeleição e menor quando ele apenas apoia um candidato à sua sucessão, pois, nesse segundo caso, a responsabilidade pela gestão apresenta-se de maneira menos direta.
Convém ressalvar, porém, que esse é apenas um dos fatores em jogo, e não uma sentença. A vontade de mudança tende a crescer quando a gestão é considerada ruim e o eleitor está insatisfeito. Quando ocorre o contrário e o governo é bem avaliado, a estrutura governamental, a visibilidade e a familiaridade com aquilo que já é conhecido costumam favorecer quem está no poder.
Por isso, disputar a reeleição ou apoiar um sucessor não condena ninguém, de antemão, à derrota. Trata-se apenas de um aspecto que merece ser levado em conta na análise de qualquer eleição. Ainda assim, quando predomina a insatisfação e existe uma alternativa considerada minimamente razoável, a inclinação do eleitor costuma ser a de optar por uma mudança de rumo.