A eleição do medo é, por isso mesmo, a eleição da esperança

Esta é a eleição do medo.

Medo de continuarmos sob um governo corrupto e aparelhado, no qual o Estado está a serviço de uma ideologia que se proclama democrática, mas apoia e incentiva a ruptura do devido processo legal, a perseguição de pessoas e grupos, o desrespeito à Constituição e práticas irresponsáveis que destroem a economia nacional.

Há também, do outro lado, o medo de que um novo governo possa significar a perda de liberdades individuais e coletivas e a redução de benefícios sociais; de que a diminuição do tamanho do Estado acarrete prejuízos para a classe artística; e de que o país sofra um retrocesso institucional capaz de conduzi-lo a um regime autoritário.

Esta é também a eleição da promessa vazia, da mentira e da compra disfarçada de votos.

São promessas repetidas ano após ano sobre medidas que seriam tomadas, mas nunca foram. Semeaduras anunciadas que jamais produziram colheitas e que voltam a ser prometidas sempre que interessam ao profeta. São números e índices manipulados para anestesiar uma plateia faminta e migalhas concedidas justamente na hora do voto.

Do outro lado, surgem promessas feitas por quem precisa apresentar-se como alternativa e, não encontrando outra saída, acaba recorrendo aos mesmos métodos daquele que pretende substituir. Promete o futuro sem saber se poderá realizá-lo, omite o que não lhe convém e silencia diante das verdades que poderiam afastar eleitores.

E eu, que vivi grande parte de minha vida na política e tanto me empenhei em compreender os mecanismos que a regem, sinto-me enojado. Minha capacidade de entendimento parece esgotada pelo cansaço e pela desesperança.

A última e única saída que consigo enxergar nasce de uma constatação elementar: não é admissível que as coisas continuem como estão.

Por mais incerto e imprevisível que seja o futuro, ainda me parece infinitamente mais aceitável do que a permanência deste presente, consolidado por um passado completamente desastroso.

Esta é a eleição do medo. Mas é justamente o medo de permanecer onde estamos que faz nascer a esperança de mudar.

Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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