
São Luís – A campanha Julho Verde reforça, ao longo deste mês, a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço. O alerta foi tema de entrevista concedida pela médica Fabiane Santos, cirurgiã de cabeça e pescoço, ao programa Abrindo o Verbo, da Rádio Mirante News, na tarde de terça-feira (21).
Os tumores de cabeça e pescoço podem atingir regiões como cavidade oral, boca, faringe, laringe, além de outras estruturas da região. Segundo a médica, a identificação da doença em estágio inicial é fundamental para reduzir a agressividade do tratamento e preservar a qualidade de vida do paciente.

“É importante que se saiba que, quanto mais precoce for o diagnóstico, menos agressivo será o tratamento. Porque a gente está falando de lesões. São lesões de cavidade oral, boca, faringe, laringe, e a evolução dessa doença compromete muito a qualidade de vida do paciente”, explicou Fabiane Santos.
A especialista também destacou que, em casos mais avançados, o paciente pode precisar passar por procedimentos que alteram significativamente a rotina e a autonomia. “Alguns pacientes precisam de traqueostomia. Alguns precisam de uma via alternativa para se alimentar, ou uma sonda nasoenteral, ou uma gastrostomia. E isso tem um impacto muito grande na qualidade de vida do doente. Então, quanto mais precoce esse diagnóstico for efetuado, menos agressivo será o tratamento”, afirmou.
Números
A preocupação ganha ainda mais relevância diante das estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Para o triênio de 2026 a 2028, o órgão estima cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, considerando todos os tipos da doença. Entre os homens, o câncer da cavidade oral aparece entre os tumores mais incidentes, representando 4,8% dos casos estimados.
O câncer de cabeça e pescoço está associado a fatores de risco como o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a infecção pelo HPV, especialmente em alguns tumores da região da orofaringe. Por isso, a campanha Julho Verde também busca ampliar o conhecimento da população sobre sinais que não devem ser ignorados, como feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade ou dor para engolir, caroços no pescoço e alterações na voz.
“A orientação é procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes. O diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de tratamento e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais agressivos, preservando funções essenciais e a qualidade de vida”, frisa a médica Fabiane Santos.