Política, religião e futebol

São Luís – O famoso ditado popular “Não se discute política, religião e futebol” ganhou ainda mais força na era dos extremismos ideológicos. Por serem temas que despertam paixões e convicções profundas, essas questões costumam provocar discussões acaloradas, capazes de gerar conflitos que nem sempre terminam bem.
O problema dessa postura avessa ao diálogo é o engessamento das ideias e o fortalecimento do fanatismo. É exatamente isso que se observa na política contemporânea do Brasil, dos Estados Unidos e de diversos outros países.
Muitos candidatos parecem estar vivendo a sua “campanha dos sonhos”. Já não precisam apresentar propostas minimamente voltadas aos interesses públicos. Basta apontar o dedo para os adversários e gritar “Fascista!” ou “Comunista!”, conforme o lado que teatralmente fingem defender.
Na esfera da religião, a fé sem nenhuma base lógica contraria a capacidade humana de raciocinar, que em última instância, vem a ser uma dádiva concedida pelo próprio Criador. Sobre isso, Albert Einstein refletiu que “a ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega”, enfatizando que ambas se complementam.
Por fim, chegamos ao futebol. Deixei esse tema por último por ser aquele que mais fere o coração dos brasileiros após a eliminação da tão sonhada Copa do Mundo. Caros leitores, como se tornou difícil conversar sobre futebol neste momento! Falar de política e religião até parece uma tarefa mais fácil do que alcançar algum consenso sobre esse assunto.
Ainda assim, não serei omisso à proposta que apresentei no início deste texto. Direi apenas que, enquanto alguns jogadores deram o sangue dentro de campo, outros pareceram mais preocupados com a própria imagem do que com o sentimento de patriotismo ou com a alegria dos seus conterrâneos, dedicando maior atenção à promoção de casas de apostas.
Fiquem à vontade para discordar de tudo o que escrevi. O mais importante é que, diante das diferenças de opinião, predominem a empatia, a sinceridade e os bons argumentos.
————————————————————————————–
Cristiano Sardinha é escritor, professor e tabelião, graduado em Direito, Filosofia e História, Mestre em Cultura e Sociedade pela UFMA, Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela UMSA e Doutor em Direito Constitucional pela UNIFOR.





