Projeto transforma Centro Histórico em palco de tradição e poesia

Tenores da Ilha entoaram hinos do bumba meu boi do alto de um casarão na Rua Afonso Pena

São Luís – O entardecer de domingo ganhou novos contornos na antiga Rua Formosa, atual Rua Afonso Pena, no Centro Histórico de São Luís. Entre casarões centenários, azulejos portugueses e o eco das tradições populares, o Samba da Formosa reuniu mais uma vez um público numeroso que fez da rua um grande palco a céu aberto para celebrar a cultura maranhense.

A edição do último domingo (14) entrou definitivamente no clima do São João ao receber os chamados Tenores da Ilha: Ribinha de Maracanã, Marcos da Maioba e Chagas do Boi de Ribamar. Donos de vozes que carregam a memória e a força dos terreiros e arraiais, os três cantadores emocionaram o público, entre muitos turistas, ao entoar verdadeiros hinos da cultura popular do Maranhão, na marcante cadência dos bois de matraca.

Ricardo Fernandes Pororoca, idealizador do projeto, com os cantadores Chagas do Boi de Ribamar, Ribinha do Boi de Maracanã e Marcos do Boi da Maioba

Em alto e bom som, os mestres da cantoria transformaram a rua em um grande coro coletivo. O público acompanhou cada toada, cantando junto e celebrando uma tradição que atravessa gerações. Foi uma demonstração da vitalidade da cultura maranhense, capaz de resistir ao tempo e seguir encantando quem chega à Ilha do Amor.

O cenário não poderia ser mais simbólico. Em frente à histórica Pousada Colonial, antigo casarão que pertenceu à tradicional Família Mohana, a festa ganhou ainda mais beleza. A fachada revestida por raros azulejos portugueses em alto relevo serviu como moldura para uma tarde/noite em que passado e presente se encontraram por meio da música.

A Rua Formosa, ou Rua Afonso Pena, também carrega sua própria singularidade. É a única via de São Luís que liga, em linha reta e sem interrupções, os rios Bacanga e Anil, uma espécie de corredor histórico por onde circulam memórias, histórias e expressões culturais que ajudam a contar a trajetória da cidade.

Por trás do sucesso do evento está a sensibilidade do produtor cultural Ricardo Fernandes Pororoca. Com seus olhos de águia, daqueles que enxergam longe e percebem o que muitos não conseguem ver, ele idealizou um projeto que vai além do entretenimento. O Samba da Formosa tornou-se um espaço de encontro, pertencimento e valorização das raízes maranhenses, reunindo diferentes gerações em torno da música, da convivência e da identidade cultural.

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QUEM SOU EU

Jornalista profissional formado pela Universidade Federal do Maranhão e que há mais de 20 anos integra o staff do Grupo Mirante, Evandro Júnior é do Imirante.com, titular da coluna Tapete Vermelho, dentro do Caderno PH Revista, e coordenador e colaborador diário e interino da coluna de Pergentino Holanda (PH) no Imirante.com. A proposta é trazer informações sobre generalidades, com um destaque especial para as esferas cultural, empresarial e política.

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