Felipe Fernandes: “Quem aprende com os próprios erros é um sábio, mas quem aprende com os erros dos outros é um afortunado”

Felipe Ribeiro: “Capital intelectual não é a quantidade de informação que você acumulou”

Entre as várias lições que venho recebendo do meu pai ao longo da vida, uma delas demorou muitos anos para revelar seu verdadeiro significado.

“Quem aprende com os próprios erros é um sábio. Mas quem aprende com os erros dos outros é um afortunado.”

Durante muito tempo achei que ele estivesse apenas me ensinando prudência. Hoje percebo que ele está me ensinando algo muito maior: não desperdice a experiência que já existe no mundo.

Meu pai é um grande leitor. Daquelas pessoas que observam trajetórias com atenção e conseguem extrair lições de histórias que nem viveram. Gosta de me falar sobre empresários, investidores, líderes e profissionais que admira. Alguns conheceu pessoalmente. Outros acompanha apenas à distância. Mas o ponto nunca é a pessoa em si. O ponto é o que podia ser aprendido com ela.

Eu não entendia por que alguém dedicaria tanto tempo estudando a vida de outras pessoas. Hoje entendo.

A vida é curta demais para aprender tudo sozinho.

Existe uma forma muito comum — e muito equivocada — de entender o capital intelectual. Muita gente acredita que ele é formado por diplomas, cursos ou certificados. Tudo isso tem seu valor, mas não é o que realmente diferencia as pessoas.

Capital intelectual não é a quantidade de informação que você acumulou.

Capital intelectual é a capacidade de transformar a experiência dos outros em parte do seu próprio repertório.

É por isso que uma boa conversa pode valer mais do que dezenas de horas de tentativa e erro. É por isso que uma biografia pode encurtar caminhos. É por isso que uma pergunta feita à pessoa certa pode evitar meses — ou anos — de decisões equivocadas.

Quando leio a biografia de alguém, não estou procurando curiosidades. Estou procurando padrões. Quero entender quais decisões funcionaram, quais falharam, quais virtudes ajudaram aquela pessoa a avançar e quais erros quase a fizeram desistir. Faço o mesmo quando converso com empresários mais experientes. Não busco respostas prontas. Busco repertório.

Porque decisões melhores raramente nascem do acaso. Elas nascem de uma base mais ampla de referências.

Talvez seja por isso que uma das perguntas mais importantes que um empresário pode fazer não seja “o que eu devo fazer?”, mas “quem já enfrentou algo parecido?”.

A resposta para essa pergunta está espalhada por livros, histórias, conversas, mentorias, entrevistas e exemplos de vida. O conhecimento humano é uma espécie de biblioteca construída por gerações. E, ainda assim, muitas pessoas insistem em entrar em cada problema como se fossem as primeiras a enfrentá-lo.

Não são.

Alguém já viveu algo parecido.

Alguém já errou antes.

Alguém já encontrou uma solução.

Alguém já deixou pistas.

A maturidade intelectual talvez comece quando entendemos isso.

Quando percebemos que não precisamos descobrir tudo sozinhos. Que existe inteligência acumulada à nossa disposição. Que ouvir não é sinal de fraqueza. Que pedir conselho não diminui autonomia. E que aprender com a experiência alheia costuma ser muito mais barato do que aprender exclusivamente com a própria.

Hoje entendo melhor o que meu pai tentava me ensinar.

Quem aprende com os próprios erros realmente é um sábio.

Mas quem desenvolve o hábito de aprender com livros, histórias, conversas e experiências que não viveu pessoalmente constrói algo ainda mais valioso: repertório.

E repertório, no fim das contas, é uma das formas mais poderosas de capital intelectual.

Porque o erro continua sendo um excelente professor.

Mas continua sendo também o professor mais caro que existe.

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Felipe Fernandes é engenheiro e CEO da RendMais Invest e ESA Empreendimentos

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QUEM SOU EU

Jornalista profissional formado pela Universidade Federal do Maranhão e que há mais de 20 anos integra o staff do Grupo Mirante, Evandro Júnior é do Imirante.com, titular da coluna Tapete Vermelho, dentro do Caderno PH Revista, e coordenador e colaborador diário e interino da coluna de Pergentino Holanda (PH) no Imirante.com. A proposta é trazer informações sobre generalidades, com um destaque especial para as esferas cultural, empresarial e política.

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