Saúde mental em época de COVID -19

            Atualmente, o que mais se ouve falar é de crise e a que se destaca é a da saúde pública ocasionada pela infestação do Corona Vírus e sua doença, o COVID-19. As crises, independentemente de sua natureza, têm de ser identificadas, enfrentadas e modificadas e é justamente isso que tem sido feito pelo mundo afora, para enfrentarmos os danos ocasionado por essa crise na saúde do planeta.

               Como outras pandemias, essa será transitória e daqui a pouco passará, muito embora, se saiba que ela causara um estrago gigantesco em todas as dimensões humanas. Desestabilizando sistemas internacionais de saúde, precarização das atividades econômicas e o emprego, danos irreparáveis às relações afetivas e sociais, danos, emocionais, psiquiátricos e psicossociais graves, além dos danos materiais e outras doenças que a acompanharão em seu curso e, principalmente, as inúmeras mortes que ocorrerão em vigência.

              A crise imposta pelo Corona, já está provocando pavor e ameaças à população e já promove mudanças profundas em nossos hábitos, costumes sociais e padrões comportamentais. Essa crise como as outras, se instalam de forma lenta ou abrupta. Foram ocorrências inesperadas que provocaram respostas em bloco dos organismos ante aos eventos inerentes a ela. Essa, como as outras, não se encerrará em si mesma. Está inserida em um contexto social, sanitário, econômico, cultural e psicológico. Ela se sucederá e se interromperá ao longo do tempo.

        As crises estão sempre associadas com algo ruim, fatal e trágico. Nessa expectativa, passa a ser uma condição que nos inspira medos, inseguranças e perplexidade. Nos mobiliza, mas ao mesmo tempo somos levados a enfrentá-las utilizando todos os recursos necessário para seu controle.

                Nossa história no planeta é repleta de crises. Guerras, epidemias, endemias, catástrofes climáticas, tsunamis, graves crises econômicas e políticas, crise na ética, na segurança e em muitas outras dimensões humanas. Superamos, umas às outras, deixando sequelas e consequências duradouras em todos nós. Pagamos preços insuportáveis, mas sobrevivemos à todas.

                  Se voltarmos a visão para dentro de nós mesmos, veremos que tais fenômenos, fazem parte da história pessoal e comportamental. Por crises emocionais, no desenvolvimento pessoal e social, mentais, afetivas, psicossociais e comportamentais, todos nós já passamos, nas diferentes etapas da vida. E cada uma dessas, deixam marcas indeléveis, inesquecíveis em nossa forma de agir e de pensar.

                Por se tratar de situações de profunda ameaça à nossa segurança, à nossa saúde e ao nosso bem-estar pessoal e social, as crises promovem inseguranças e medos profundos, aborrecimentos, reclamações, descontentamento, desentendimentos, pesar e dor, uma serie de sentimentos desagradáveis, os quais provocam mal-estar geral. Isso gera frustração, medo, expectativa negativa e cada um de nós iremos vivê-la individualmente, de forma muito particular, assim como particulares serão as respostas que cada um atribuirá nesses momentos.

             Atualmente, a ameaça à vida e a saúde passou a ser a preocupação número um do planeta. Todos, estamos empenhados a enfrentar essa pandemia. Estamos nos mobilizando para enfrentar esse momento atual de profundo desafio a vida do homem. Essa ameaça global ocasionada pelo Corona vírus, nos pegou de surpresa e de forma inesperada. Rapidamente se alastrou pelos 4 cantos do planeta, fazendo vítimas fatais e deixando inúmeras sequelas. A doença que ele provoca que é a COVID 19, apesar de ter uma baixa letalidade, pode até levar a morte pessoas com vulnerabilidades.

               Do ponto de vista psicológico e emocional, os danos já começam a surgir. As recomendações de isolamento familiar, os impedimentos de ir e vir, as restrições sociais, provocou mudanças profundas na comunicação e nas relações humanas. O medo disseminado através da enxurrada de notícias sobre o assunto, muitas improcedentes sobre o e o COVID -19, vem causando pavor em muita gente. O absenteísmo laboral em massa, a possibilidade real de morte advinda do contágio do vírus e de sua doença e as expectativas de alguém se contaminar está criando um clima psicológico muito desagradável e ameaçador, gerando stress e ansiedade difusa.

                 A perspectiva, é que esses quadros de mal-estar psicossocial geral se espalhem na população. Entre os transtornos ansiosos mais esperados são: estresse pós-traumático, ansiedade generalizada, transtornos fóbico ansiosos, transtornos obsessivos compulsivos e outros transtornos de espectro ansioso. E porque isso? Simplesmente, porque a ansiedade é o principal mecanismo neuro-adaptativo que lançamos mão, do ponto de vista neurocomportamental, para enfrentarmos as situações novas, fora e dentro da gente, impostas pela crise atual e isso pode disfuncionar esse mecanismo, provocando doença nas pessoas.

             Em um segundo momento psicológico, devido às inúmeras perdas profundas e as dores imensas vividas por cada uma das pessoas em razão da pandemia, haverá certamente quadros depressivos disseminados na população geral, de intensidades variadas, leves, moderados e graves provocas por morte de parentes e pessoas queridas, perdas materiais, perdas do trabalho e perdas da saúde. Fatalmente, ocorrerá um número maior de suicídios e de outros transtornos depressivos do humor. Os que estarão mais vulneráveis à esses quadros psiquiátricos são os profissionais da linha de frente da pandemia, como os da saúde, os gestores públicos e muitos outros trabalhadores que trabalham para garantir as atividades assistenciais a esses enfermos.

             Os que estão reclusos em suas casas, impedidos de sair e de trabalharem. Os idosos portadores de doenças crônicas, jovens com vida social ativa, trabalhadores impossibilitados de trabalharem, portadores de doenças mentais graves, usuários de álcool, tabaco e outras drogas certamente serão os mais afetados pela virulência desse Corona e dessa pandemia, considerando o estado de saúde dessas pessoas.

             Vamos nos cuidar uns aos outros e seguir todas as orientações que nos estão sendo dadas pelas autoridades sanitárias. Sejamos mais solidários, ajudando aos mais necessitados. Transforme sua casa em um ambiente salutar e prazeroso, assegure boas práticas higiênicas e por último cuide bem de você mesmo e de sua mente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Busca

Perfil

Médico Neuropsiquiatra, Professor de Psiquiatria do Curso de Medicina da (UFMA), Mestre em Ciências da Saúde (UFMA), Especialista em Dependência Química pela (UNIFESP), Presidente da Academia Maranhense de Medicina.

E-mail

ruy.palhano@terra.com.br

No Twitter

Posts recentes

Comentários

Categorias

Mais Blogs

Rolar para cima