Dr. Vasconcelos Neto recebe título de Cidadão Ludovicense na Câmara de São Luís

Dr. Vasconcelos Neto recebeu a honraria das mãos do vereador Pintinho Itamaraty, autor da homenagem

SÃO LUÍS – Na tarde desta quarta-feira (16), o plenário da Câmara Municipal de São Luís recebeu uma solenidade dedicada ao reconhecimento de profissionais que contribuem para o cuidado em saúde mental na capital. O médico psiquiatra Dr. Vasconcelos Neto foi homenageado com o título de Cidadão Ludovicense, honraria proposta pelo vereador Pintinho Itamaraty. A sessão contou também com as presenças dos vereadores Raimundo Penha e Pavão Filho, que destacaram a trajetória profissional e a atuação do homenageado em São Luís.


Natural de São Raimundo Nonato (PI) e criado em Teresina (PI), o novo cidadão ludovicense relembrou sua trajetória e destacou o carinho com que foi acolhido pela capital maranhense. “O que, cá entre nós, significa que eu já vinha ‘quase’ pronto para ser ludovicense, afinal, vizinho de porta desta ilha encantada!”, brincou durante o discurso. Em seguida, ressaltou a importância da cidade em sua história: “Foi São Luís que me acolheu de braços abertos, que abraçou os meus sonhos e onde construí não apenas a minha trajetória profissional, mas a minha história de vida.”

Médico psiquiatra Dr. Vasconcelos Neto foi homenageado nesta quarta-feira (16)


Ao falar sobre sua vocação, Dr. Vasconcelos destacou a sensibilidade exigida pela Psiquiatria e compartilhou o mérito da homenagem com pacientes e equipe. “Escolhi a Psiquiatria como vocação porque entendi que cuidar da mente é cuidar da essência do ser humano […] Esta homenagem, portanto, não é apenas minha; ela pertence a cada paciente que confiou em mim e a toda a minha equipe”, afirmou.


A cerimônia reuniu autoridades, colegas de profissão, amigos e familiares do médico. Entre os presentes estavam seus pais, Francisco Antônio e Diana Cristina; o seu irmão, Dennis Russely; e sua esposa, Lindamira Leite, mencionados como parte significativa de sua caminhada pessoal e profissional.


Ao encerrar sua fala, o homenageado sintetizou o sentimento de pertencimento que passou a carregar oficialmente: “A partir de hoje, sou ludovicense de fato e de direito. E renovo o meu compromisso inegociável de honrar esta cidade com mais trabalho, dedicação, ética, empatia e muito amor.”

Felipe Ribeiro: “Todo caminho cobra um preço”

Felipe Ribeiro

Eu devia ter uns dezessete anos e passava as tardes trancado no quarto, estudando para o vestibular. A janela ficava aberta por causa do calor, e era por ali que entrava o barulho: a bola batendo no asfalto, os gritos, o nome dos meus amigos sendo chamados na rua. Eu conhecia cada uma daquelas vozes. Sabia exatamente quem estava jogando, em que time, e que aquilo ia continuar até escurecer.

Num fim de tarde, larguei o livro e fui procurar meu pai com uma pergunta que, para mim, era enorme: será que eu não deveria estar lá fora? Aproveitando enquanto era tempo, enquanto aquilo tudo ainda existia, em vez de gastar a juventude fechado num quarto por causa de uma prova que talvez nem desse certo.

Eu queria que ele me liberasse. Queria ouvir que meia hora de bola não faria diferença nenhuma, e que depois eu voltava para o livro.

Não foi o que ele disse. Também não me mandou estudar, não fez discurso sobre disciplina nem falou de futuro. Disse apenas uma frase que eu carrego comigo até hoje e repito muitas vezes:

“Não existe caminho certo ou caminho errado na vida. Existem as consequências do caminho que se toma.”

Foi uma resposta irritante para um menino de dezessete anos. Eu tinha ido buscar permissão e voltei para o quarto carregando uma consequência que agora era minha.

Lembrei dela numa conversa recente com um amigo que construiu uma carreira sólida como executivo. Ele me disse, com alguma frustração, que sempre teve vontade de empreender, mas que não se sente capaz de correr os riscos que eu corro.

Respondi três coisas. A primeira foi que ele parasse de se comparar comigo. Eu empreendo há vinte anos. O risco que hoje me parece normal só me parece normal porque eu o pratico desde os vinte e poucos anos, errando e corrigindo por duas décadas. Comparar o primeiro passo dele com o passo atual de quem caminha há vinte anos é uma conta que nunca vai fechar — e foi exatamente essa a armadilha que ele armou para si mesmo.

A segunda foi que, se quisesse começar, começasse com um risco compatível com quem ele é hoje, não com o risco que enxerga de fora na vida dos outros.

E a terceira foi a mais difícil: que fosse honesto consigo sobre o próprio perfil.

Pode ser que ele seja, de fato, alguém que funciona melhor dentro de uma estrutura. Que prefira a previsibilidade do salário no fim do mês, que durma melhor sem a folha de pagamento na cabeça, que renda mais executando bem do que decidindo sozinho. Se for isso, empreender não é um sonho reprimido. É um desejo emprestado, construído olhando o lado bonito da vida de quem empreende, que costuma ser o único lado que aparece.

Ou pode ser o contrário. Pode ser que ele tenha o perfil, tolere risco, queira mais e apenas nunca tenha dado o primeiro passo porque faltou empurrão. Se for isso, cada ano que passa também tem consequência.

O problema é que ele vinha tentando responder à pergunta errada. Queria saber qual dos dois caminhos era o certo.

Não existe caminho certo. Existem consequências.

Ficar na carreira executiva tem bônus e ônus: estabilidade, previsibilidade, teto. Empreender também tem bônus e ônus: liberdade, potencial e noites em que a conta não fecha e não há a quem recorrer. Nenhum dos dois é superior. São preços diferentes, cobrados em moedas diferentes.

Há uma distinção importante aqui. Meu pai estava falando de caminhos, não de caráter. Honestidade, palavra dada e integridade não entram nessa escolha. São a base sobre a qual qualquer caminho precisa ser construído. Fora disso, a vida é feita de trocas.

E quase todo o sofrimento que vejo em quem precisa decidir nasce de uma expectativa impossível: encontrar a opção que só tem bônus. Ela não existe.

Mudar pode ampliar horizontes e afastar raízes. Crescer rápido pode trazer escala e cobrar controle. Ter sócio divide o peso, mas também divide a decisão. Toda escolha entrega alguma coisa e leva outra junto.

Por isso, a pergunta útil nunca foi qual é o caminho certo. É outra, bem mais desconfortável:

Qual consequência eu estou disposto a sustentar?

Essa pergunta tem resposta. E ela é pessoal, intransferível e muda ao longo da vida. O preço que eu aceitava pagar aos vinte e cinco anos não é o mesmo que aceito hoje.

Meu pai não me disse para largar a bola e estudar. Disse que eu escolhesse sabendo o que vinha junto.

Eu escolhi o livro, e perdi tardes de rua que não voltam. Escolhi empreender, e perdi noites de sono que não se recuperam. Também ganhei coisas que não teria de outra forma.

Não foi o caminho certo. Foi o caminho cujo preço eu estava disposto a pagar.

E talvez seja só isso que qualquer um de nós realmente tenha: não a garantia de ter escolhido certo, mas a clareza sobre a consequência que aceitou sustentar.

Porque todo caminho cobra um preço. O único erro real é acreditar que existe um que não cobra nada.

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Felipe Fernandes é engenheiro e CEO da RendMais Invest e ESA Empreendimentos

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QUEM SOU EU

Jornalista profissional formado pela Universidade Federal do Maranhão e que há mais de 20 anos integra o staff do Grupo Mirante, Evandro Júnior é do Imirante.com, titular da coluna Tapete Vermelho, dentro do Caderno PH Revista, e coordenador e colaborador diário e interino da coluna de Pergentino Holanda (PH) no Imirante.com. A proposta é trazer informações sobre generalidades, com um destaque especial para as esferas cultural, empresarial e política.

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